Sobre mulheres e equilíbrio visual

Sou um admirador de mulher. Não discrimino tamanho, biotipo, raça, nem idade (respeitando os padrões não-pedofilísticos, claro). Me encanto com loiras e morenas, baixinhas e altonas, cheinhas e semi-bumílicas. Para resumir parafraseando o comediante Chris Rock, “eu olho o menu todinho de mulheres”. Mas uma parte desse menu que me chama a atenção de maneira especial são os ambientes de escolas particulares. Não cabe discutir aqui a influência (ou a inexistência de uma) da diferença de classe social entre escolas particulares e públicas na aparência das alunas, mas uma coisa é fato – escola particular só tem mulher bonita. É inacreditável. Observando o corpo discente – e que corpo – dessas instituições, e me perguntava: será que alguma menina feia estuda nesses lugares?

Pertinho da minha casa, existem três colégios particulares – indo pro lado do Iguatemi, tem o Versailles e o Persona; e pro outro lado, virando para a orla marítima, tem o Anchieta. Em passeios despretensiosos pelo bairro ao lado do meu primo e melhor amigo Mateus (falo mais sobre ele em outra oportunidade), apreciamos esses lugares cheios de beleza. Mas no fundo de nossos corações, procuramos mesmo é as feias. Porque por mais divino que um ambiente seja, há de ter um resquício de feíura, um pedacinho de visão do inferno que seja. Um colégio tem que se parecer com um colégio, não com uma quadro renascentista. Me arranje uma estrábica, porra, uma vesguinha que seja pra instalar o equilíbrio visual!

Mas algum dia, as feias vão se revelar. Eu só temo que esse dia chegue sem o meu testemunho. Já sonhei com o momento – estão lá, na lanchonete na esquina depois do prédio no qual eu estagiava (que tem o pior cheeseburguer que já comi na minha vida, veja como pesadelos se acumulam), dois garotos adolescentes, discutindo sobre a relatividade da flexibilidade do rabo do gato, quando de repente, acontece. Duas meninas – mais feias que briga de foice de  cego, num filme do Tarantino –  voltando da aula matinal. E então. ao invés de um catálogo detalhado, registro visual em 2048×1536 pixels e entrada num possível nome para a espécie (privadis horribilum?), eles apenas comentam superficialmente um evento com potencial para alterar o mundo como conhecemos. Entre na minha mente. Partilhe da minha indignação.

–        Ih, alá vei! As baranga de farda!

–        Quê?

–        Ali, duas menina do Persona. Todas as duas, feias!

–        Né possível.

–        Tô dizendo.

–        Cê tá brincando.

–        Rum.

–        Justo aquele colégio que só tem gostosa! Isso não faz sentido. Deve ter alguma coisa de errado com a Matrix. Bem que eu vi o gato da dona Meridiana passar duas vezes pro mesmo lado do playground, hoje de manhã.

–        Não viaja, parceiro. Te falei que aquela maratona de filmes ia te fazer mal.

–        Fica na sua, que eu não quero te lembrar de um certo anel de noivado que foi parar na panela cheia de feijão fervente.

–        Eu não sei do que você está falando.

–        Aham. Vai falar isso pra Mariana. Ela vai casar daqui a dois meses, melhor você ir juntando o dinheiro pra comprar um novo. Se eu fosse você, teria pulado na panela atrás do “precioooosssso”.

–        Sem querer soar repetitivo: eu não sei do que você está falando. Voltando pro assunto dos canhões do Persona, deve ser algum distúrbio alimentar. A menina fica deprimida por causa do namorado galinha, começa a comer chocolate demais, engorda, as espinhas aparecem, sabe como é essas coisas.

–        Que nada. Ainda acho que é zica da Matrix.

–        Ô véi, que idéia fixa… Desde que instalaram o Windows Seven no mainframe da Matrix, nunca deu problema, e você fica nessa neurose. Vamo fazer o seguinte, liga aí pra galera de Zion, já falou com eles hoje?

–        Já liguei. Só dá ocupado.

–        Iiiih…

–        Tô dizendo.

–        Rapaz, se colocarem Linux naquela merda, eu vou ficar pirado.

–        Né?

–        Rum.

E os nerds voltam a falar sobre a relatividade da flexibilidade do rabo do gato, sepultando pra sempre aquele momento nas suas memórias. O sonho acaba num fade out, acompanhado daquela risada medonha da música Thriller. Sempre acordo em um pulo, suando frio, e, por alguma razão, morrendo de vontade de comer pizza de frango catupiry. Vai entender.

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