Um décimo

Antes da crônica, gostaria de me justificar pelo tempo sem postagens. É tempo de férias, e aliado a isso eu tive problemas com o meu computador e fiquei um tempo sem poder acessar a internet. Mas agora estou de volta com alguns textos pra postar e pretendo voltar ao ritmo semanal que eu tinha antes.

Boa leitura!

—————————–

Um médico está a minutos do horário de saída do hospital, sedento pela liberdade da sexta-feira noturna. Porém, ele tem de receber um último paciente. O homem reclama de dores insuportáveis nos olhos, que estão visivelmente vermelhos. O médico pergunta:

– O que houve com seus olhos?

Ao que o paciente responde:

– Eu não consigo tirar as minhas lentes!

Sugestionado pelo desejo urgente de ir para casa, o médico observa os olhos do homem mais de perto, procurando um detalhe desapercebido, uma razão para despachá-lo o mais rápido possível. Após alguns segundos de análise, eis que surge a salvação. Prontamente, o médico diz ao paciente:

– Você não está usando lentes.

O homem, desnorteado, replica:

– Mas então porque meus olhos dóem tanto?

E mantendo o semblante frio e indiferente, o médico disse:

– Porque você está tentando arrancar a sua córnea.

Esta cena descrita acima é de um episódio da primeira temporada da série televisiva House M.D. O personagem principal, o oncologista Gregory House, é um homem amargurado, viciado em medicamentos analgésicos e um sociopata de marca maior. Mas a grosseria que ele cometeu com o seu paciente, de certa maneira, tem fundamento: qual a necessidade que certas pessoas têm de lutar bravamente contra problemas que não existem?

Os homem estava daquele jeito graças à sua inabilidade de avaliar a situação com clareza. Ele se machucara arranhando os seus olhos tentando remover constantemente uma lente de contato que não estava lá.

Pois assim são os seres humanos. Em determinados cenários de suas vidas, nós erroneamente aplicamos todos os nossos esforços lutando contra intempéries inexistentes.

Isso provavelmente tem relação com a famosa pílula de sabedoria do senso comum, que afirma que os seres humanos conseguem pôr em prática apenas 10% da sua capacidade mental (o que já se provou como inverdade). Eu arrisco que isso seja proveniente dessa distração do indivíduo, que desvia o seu foco para atividades pouco proveitosas. Esses esforços que poderiam estar sendo feitos para desenvolver algo mais construtivo provavelmente corresponda aos 90% restantes – o que não é exagero.

Quantas vezes você, leitor (principalmente do sexo masculino), não se deparou distraído em frente à TV, assistindo um programa que você nem ao menos entendia?

Ou deixando as letras embaralharem a sua frente no meio da leitura de um livro, jornal ou revista?

Ou se prevenindo contra situações pouco prováveis, como carregar o peso extra de um guarda-chuva em um dia ensolarado?

Bem, acho que já esclareci o meu ponto. Na verdade, resolvi parar de escrever antes que eu perceba que esse texto é parte dos 90% dos esforços jogados ao vento…

Anúncios

Tags: ,

Uma resposta to “Um décimo”

  1. Gabí Says:

    hahahha…
    muito bom!
    MAs eu nunca que levaria um guarda-chuva em um dia ensolarado! kkkk

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: