Um décimo

janeiro 9, 2010

Antes da crônica, gostaria de me justificar pelo tempo sem postagens. É tempo de férias, e aliado a isso eu tive problemas com o meu computador e fiquei um tempo sem poder acessar a internet. Mas agora estou de volta com alguns textos pra postar e pretendo voltar ao ritmo semanal que eu tinha antes.

Boa leitura!

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Um médico está a minutos do horário de saída do hospital, sedento pela liberdade da sexta-feira noturna. Porém, ele tem de receber um último paciente. O homem reclama de dores insuportáveis nos olhos, que estão visivelmente vermelhos. O médico pergunta:

– O que houve com seus olhos?

Ao que o paciente responde:

– Eu não consigo tirar as minhas lentes!

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Sobre o álcool

dezembro 11, 2009

Me preocupo com a juventude desregrada do século XXI. O mundo do álcool e das drogas dragou a nossa garotada, envolvendo-os em um turbilhão vicioso de vodka, vinho, leite condensado, tequila, limão e uma pitada de sal. Por isso, estou escrevendo uma peça para ilustrar as intempéries enfrentadas por quem se entrega à orgia.

Acompanhem comigo.

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Alô você…

dezembro 6, 2009

– …vovô que conta sempre as mesmas histórias de pescador. Todos já sabem que você pescou um peixe de 150cm, lá na lagoa Rodrigo de Freitas, no tempo que ela ainda era limpa. Seja mais criativo na mentira!

– …adolescente que começou a ouvir Slipknot há um mês e já se acha a encarnação de Mephisto. Deixe de lado os cânticos de louvor a Satanás e vá decorar a tabuada, meu querido.

– …crente fervoroso que tenta convencer Deus e o mundo de que a sua religião é a correta. Continue congregando em paz com seus irmãos e preserve a paz de espírito alheia. É preciso respeitar pra ser respeitado!

– …metaleirinho que diz não gostar de nada da cultura brasileira e sai por aí com o velho discurso: “Qual a graça de um esporte com 22 homens suados correndo atrás de uma bola?” – Ninguém te ama.

– …flanelinha fardado que cobra o dinheiro logo quando a gente vai estacionar o carro. A gente sabe que você não olha carro porra nenhuma. Portanto, não reclame se a gente não pagar, e dê graças a Deus pelos otários que te sustentam.

– …curso que fornece workshop PAGO em véspera de natal e ano-novo: Eu não compareceria nem de graça. Beijo no cérebro danificado de vocês.

– …torcedor de time que tá ganhando todas e fica tirando sarro dos amigos. Só brinque se aguentar a brincadeira, um dia o seu Dream Team vai tomar ferro e todos vão procurar vingança.

-…e por último, leitor que se identificou com algum dos itens acima: eu te amo do jeito que você é (tirando você, metaleirinho), portanto não deixe de visitar o blog. 🙂

(post inspirado pelas maluquices do @HugoGloss)

Os Dez Mandamentos dos Cronistas

dezembro 1, 2009

1 – Não terás outros deuses diante de Luís Veríssimo.

2 – Não farás para ti imagem em forma de jornal, revista, livro, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, etc. etc.

3 – Não tomarás o nome de Luís Veríssimo em vão.

4 – Lembra-te do dia de ócio, para o santificar (fazendo o maior número de crônicas possível).

5 – Honra o teu professor, para que te ensine todos os caminhos gramaticais possíveis.

6 – Não matarás um acontecimento real e engraçado com piadas inventadas e insossas.

7 – Não adulterarás o seu estilo de escrita para se promover.

8 – Não roubarás a crônica pronta do teu próximo.

9 – Não dirás falso testemunho contra o político próximo.

10 – Não cobiçarás a crônica do teu próximo, não cobiçarás a do teu próximo, nem a formatação, nem o notebook, nem o tempo livre, nem coisa alguma do teu próximo.

Cuscuz

novembro 21, 2009

–        Adoro cuscuz.

–        Oi?

–        Cuscuz com Nescau. Café da manhã no grau.

–        Olha, a rima de manhã cedo.

–        Ô, foi mal.

–        Para de rimar, cacete!

–        Tá, parei! Mas ó, que cuscuz com Nescau é o café da manhã perfeito, isso é.

–        Tô sabendo…

–        Serinho! Quer melhor maneira de começar o dia? O cuscuz amarelinho com manteiga derretendo por cima fazendo a base, mais o Nescau quente cheio de bolinha de leite Ninho, tá ligado? Satisfaz, e te deixa no grau pra qualquer coisa.

–        Mas encher a barriga de manhã cedo assim é bom pra saúde? E com quem você pegou essa mania de falar “no grau”?

–        Claro que é bom, é essencial! O café da manhã é a refeição mais importante do dia.

–        Lá vem você com essas concepções de americano.

–        Cumé?

–        Esse papo de café da manhã aí.

–        Nem é coisa de americano, todo mundo sabe disso.

–        Que nada, José! O povo começou nessa idéia de tanto ver filme gringo. Você mermo, aposto que começou essa maluquice depois de ver aquele filme antigão com o Stallone, que ele é policial e mãe dele fica enchendo o saco…

–        “Pare!, Senão Mamãe Atira”?

–        Esse aí. Lembra daquela cena, quando ela tá na casa dele e prepara o café? Desde a infância a mãe do cara empurra goela abaixo a refeição mais gordurosa possível logo de manhã, com a desculpa que é pra sustentar ele pro resto do dia. Isso é caô, inserido na cultura americana pra acostumar todo mundo a comer pra cacete, e engordar a população!

–        Mas eu tô falando de cuscuz.

–        Não interessa. Não é o que você come, e sim o quanto. O mundo caiu nessa onda de comilança e tá aí, esse exército da obesidade, sofrendo de doença cardíaca…

–        Ah é, né? E o que você acha que presta pra tomar café, sabido?

–        Salada de frutas, biscoito creme cráquer, saqualé? No máximo um pãozinho. Pra beber pode até ser o teu Nescau psicopata, mas eu prefiro um suco.

–        Vai se fuder, Hamilton. VAI SE FUDER. Por que então que você comeu anteontem no café três hamburgue e um copão de Coca-Cola?!

–        Foi a sobra da festa da Carol, porra.

–        Não importa! Você é outro manipulado pela influência dos americanos, outro soldado do exército da obesidade.

–        A verdade dói.

–        Quer dizer que você me esculhambou por comer cuscuz com Nescau e admite que pode comer bem pior do que eu?

–        Aham.

–        Assim, na boa?

–        É.

–        Po… Tá bom.

–        Fome da miséria… Bora fritar um ovo?

–        Tem bacon na geladeira ainda?

–        Tem. No grau.

–        Então bora.

E não discutiram mais. Isso, até o problemático do Hamilton notar a falta da frigideira teflon na dispensa e reclamar de como tudo que é frito com manteiga fica menos saudável. José perdeu a paciência, resmungou, xingou e foi na venda, pedir um pastel fiado.

Hamilton riu e foi fritar o bacon com ovo. Com muita manteiga.

Chá de Geysi Arruda

novembro 17, 2009

É, eu tentei ficar calado pra não dar mais ibope, mas depois de ler a reportagem da Veja sobre o assunto, resolvi quebrar o meu silêncio e me pronunciar sobre.

Para quem faz parte da minoria que não sabe do que se trata o “caso Uniban”, vamos à introdução ao contexto (alguns destes dados foram retirados da reportagem que li). Na noite do dia 22 de Outubro de 2009, a estudante universitária Geysi Arruda compareceu ao campus da Uniban (Universidade Bandeirante) trajando um microvestido rosa. Até aí não há nada sensacional. Eu próprio já testemunhei diversos casos de mulheres vestindo trajes inadequados para um ambiente acadêmico, e nenhum deles se tornou notícia nacional.

A notícia da semana começou com os triviais gritos de “gostosa!” ecoando pelos corredores da instituição. As colegas dela colaram no vidro da sala em que ela estava um cartaz com os dizeres “Fotos da Loirão: R$10,00”. O quadro de brincadeira informal se transformou em alvoroço quando alguns primatas (chamar de estudantes seria bondade demais) começaram a perseguir Geysi, chamando-a por nomes de baixo calão, causando constrangimento e forçando ela a se refugiar dentro da sala de aula, que rapidamente estava rodeada por uma horda de animais, que esmurravam porta e janelas, bradavam celulares tirando fotos e gravando vídeos, e ainda gritando palavrões para desqualificá-la. O que poderia ser um evento isolado e rapidamente controlado pela intervenção de alguma(s) alma(s) de bom senso, se transformou em um evento que parou a universidade, que tinha todos os seus alunos concentrados no saguão principal. Foi necessária a intervenção da polícia – sim, da POLÍCIA MILITAR – para retirar Geysi do prédio, a essa altura devidamente coberta por um roupão de professor.

Os vídeos gravados pelos celulares apareceram pela internet alguns dias depois, e o bafafá inicial da notícia se deu pela rede social Twitter. A velocidade da informação virtual permitiu que várias pessoas dessem os seus pitacos informais sobre a situação desagradável que aconteceu na Uniban. Como em toda boa polêmica, o público se dividia quase que igualmente. Uns apoiavam Geysi, condenando a multidão de trogloditas; enquanto outros apoiaram a intolerância acontecida, chegando a dizer que ela havia merecido (!) o tratamento. Alguns preferiam fazer piadas, como por exemplo a que compara a Uniban ao Taliban, que partilham tanto a última sílaba quanto os métodos de seleção de vestuário das mulheres.

Mais alguns dias após o assunto já ter esfriado na internet, a televisão e a mídia impressa descobriram o potencial de Geysi, ou melhor, do seu microvestido rosa. O público em massa descobriu o que havia acontecido naquela universidade, e o assunto rapidamente voltou à tona. Enfrentando a pressão da massa, o reitor Heitor Pinto Filho resolveu submeter Geysi a uma nova humilhação: expulsou-a da faculdade, ao passo que seis dos baderneiros boca-suja levaram apenas suspensões.

Foi aí que a jiripoca piou. As discussões se acaloraram, chegando ao ponto de alunos da UnB tirarem as roupas (só tavam esperando a oportunidade certa, né?…) em um protesto em apoio à aluna.

Bem, introdução feita, vamos ao que eu realmente quero dizer. A confusão se encerrou, os trogloditas voltaram a estudar, o reitor voltou atrás na decisão da expulsão, e qual o resultado final? Geysi está na boca do povo. Geysi está bem para carvalho. Para estudante de uma universidade particular com preços populares (a mensalidade flutua pouco acima dos 400 reais), uma exposição dessas veio muito a calhar.

“Raí, seu insensível machista”, as leitoras femininas gritam. Calma, moçoilas. Acompanhem o meu raciocínio. Eu não quero dizer que Geysi mereceu o tratamento que recebeu dos colegas de graduação. Eu só acho errado apontá-la como vítima da sociedade. Uma mulher como ela não teve o caráter posto em xeque, foi ela própria que o fez ao usar um traje completamente fora dos padrões! E tal qual a baiana professorinha infantil que ganhou fama após dançar seminua em cima de um palco de uma casa de shows de Salvador, Geysi agora poderá colher os frutos da fama. Antes do reitor da Uniban anular a expulsão, surgiram dois convites de outras instituições para que Geysi pudesse estudar de graça. É isso aí, bolsa integral. Não por esforço, dedicação e estudo, mas por um vestidinho rosa que fica apertado até em botijão de gás.

Mas não são os convites acadêmicos os mais tentadores, ah não. Geysi Arruda já apareceu em diversas reportagens televisivas posando de vítima. AH, importante lembrar: trajando sempre o vestido que a tornou famosa. Ela já estuda a possibilidade de – ora, como não! – fazer comercial de uma marca de lingerie e posar nua.

Sabe o mais interessante? Na tarde de segunda-feira, dia 16/11/2009 (véspera da publicação desse texto, quase um mês após o desfile de barbaridades na Uniban), a NASA efetuou da base de Cabo Canaveral, nos EUA, o lançamento do ônibus espacial Atlantis. A missão é levar peças de reposição para a estação espacial, com uma previsão de vôo de 11 dias. Enquanto isso, os holofotes da mídia brasileira estão voltados para uma universidade recheada de elementos irracionais, e uma celebridade instantânea de cabelos oxigenados e pouca roupa.

Na boa, esperto mesmo era o Gabriel, O Pensador, que há muitos anos atrás batizou seu disco com um nome perfeito para descrever a mentalidade da massa brasileira: “Nádegas a declarar”

Sobre mulheres e equilíbrio visual

novembro 14, 2009

Sou um admirador de mulher. Não discrimino tamanho, biotipo, raça, nem idade (respeitando os padrões não-pedofilísticos, claro). Me encanto com loiras e morenas, baixinhas e altonas, cheinhas e semi-bumílicas. Para resumir parafraseando o comediante Chris Rock, “eu olho o menu todinho de mulheres”. Mas uma parte desse menu que me chama a atenção de maneira especial são os ambientes de escolas particulares. Não cabe discutir aqui a influência (ou a inexistência de uma) da diferença de classe social entre escolas particulares e públicas na aparência das alunas, mas uma coisa é fato – escola particular só tem mulher bonita. É inacreditável. Observando o corpo discente – e que corpo – dessas instituições, e me perguntava: será que alguma menina feia estuda nesses lugares?

Pertinho da minha casa, existem três colégios particulares – indo pro lado do Iguatemi, tem o Versailles e o Persona; e pro outro lado, virando para a orla marítima, tem o Anchieta. Em passeios despretensiosos pelo bairro ao lado do meu primo e melhor amigo Mateus (falo mais sobre ele em outra oportunidade), apreciamos esses lugares cheios de beleza. Mas no fundo de nossos corações, procuramos mesmo é as feias. Porque por mais divino que um ambiente seja, há de ter um resquício de feíura, um pedacinho de visão do inferno que seja. Um colégio tem que se parecer com um colégio, não com uma quadro renascentista. Me arranje uma estrábica, porra, uma vesguinha que seja pra instalar o equilíbrio visual!

Mas algum dia, as feias vão se revelar. Eu só temo que esse dia chegue sem o meu testemunho. Já sonhei com o momento – estão lá, na lanchonete na esquina depois do prédio no qual eu estagiava (que tem o pior cheeseburguer que já comi na minha vida, veja como pesadelos se acumulam), dois garotos adolescentes, discutindo sobre a relatividade da flexibilidade do rabo do gato, quando de repente, acontece. Duas meninas – mais feias que briga de foice de  cego, num filme do Tarantino –  voltando da aula matinal. E então. ao invés de um catálogo detalhado, registro visual em 2048×1536 pixels e entrada num possível nome para a espécie (privadis horribilum?), eles apenas comentam superficialmente um evento com potencial para alterar o mundo como conhecemos. Entre na minha mente. Partilhe da minha indignação.

–        Ih, alá vei! As baranga de farda!

–        Quê?

–        Ali, duas menina do Persona. Todas as duas, feias!

–        Né possível.

–        Tô dizendo.

–        Cê tá brincando.

–        Rum.

–        Justo aquele colégio que só tem gostosa! Isso não faz sentido. Deve ter alguma coisa de errado com a Matrix. Bem que eu vi o gato da dona Meridiana passar duas vezes pro mesmo lado do playground, hoje de manhã.

–        Não viaja, parceiro. Te falei que aquela maratona de filmes ia te fazer mal.

–        Fica na sua, que eu não quero te lembrar de um certo anel de noivado que foi parar na panela cheia de feijão fervente.

–        Eu não sei do que você está falando.

–        Aham. Vai falar isso pra Mariana. Ela vai casar daqui a dois meses, melhor você ir juntando o dinheiro pra comprar um novo. Se eu fosse você, teria pulado na panela atrás do “precioooosssso”.

–        Sem querer soar repetitivo: eu não sei do que você está falando. Voltando pro assunto dos canhões do Persona, deve ser algum distúrbio alimentar. A menina fica deprimida por causa do namorado galinha, começa a comer chocolate demais, engorda, as espinhas aparecem, sabe como é essas coisas.

–        Que nada. Ainda acho que é zica da Matrix.

–        Ô véi, que idéia fixa… Desde que instalaram o Windows Seven no mainframe da Matrix, nunca deu problema, e você fica nessa neurose. Vamo fazer o seguinte, liga aí pra galera de Zion, já falou com eles hoje?

–        Já liguei. Só dá ocupado.

–        Iiiih…

–        Tô dizendo.

–        Rapaz, se colocarem Linux naquela merda, eu vou ficar pirado.

–        Né?

–        Rum.

E os nerds voltam a falar sobre a relatividade da flexibilidade do rabo do gato, sepultando pra sempre aquele momento nas suas memórias. O sonho acaba num fade out, acompanhado daquela risada medonha da música Thriller. Sempre acordo em um pulo, suando frio, e, por alguma razão, morrendo de vontade de comer pizza de frango catupiry. Vai entender.