Posts Tagged ‘tecnologia’

Smartphone sem bluetooth

março 10, 2010

Eu sou um graduando em Engenharia de Controle e Automação.

E eu sou um hipócrita.

É verdade. Eu sou um hipócrita de marca maior e tenho cara de pau o suficiente pra assumir isso. Afinal, só um detentor de uma personalidade patológica poderia escolher como carreira uma profissão que vai, mesmo que parcialmente, contra seus princípios morais. Calminha, que eu já expico.

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O Novo bom e velho Orkut

novembro 11, 2009

Como todos sabem (ou deveriam saber), o Orkut foi criado pelo turco que deu o próprio nome para a rede social mais popular por essas bandas. Muito mais da metade dos usuários são brasileiros – pra falar a verdade, eu nunca vi nenhum perfil que não fosse brasileiro ou iraniano.

A proposta era criar uma rede social capaz de proporcionar a integração entre os usuários, e promover eventos como shows, seminários e até mesmo reencontros de antigos colegas de escola/faculdade/trabalho. Essa proposta caiu por terra. Com o passar dos anos, o Orkut se tornou o antro de bobagens mais acessado por usuários tupiniquins, enquanto os perfis de usuários cumprem tão somente a função de grandes álbuns de fotos virtuais. Isso sem falar de certos elementos boca-suja, que ao se esconder na anonimidade de um perfil falso – os famigerados “fakes” – , poluem visualmente as comunidades alheias com conteúdo descartável.

Nesse faroeste virtual, surge uma novidade. O Orkut está mudando após quase dois anos no seu antigo layout. Junto com a mudança de layout, também surgem funcionalidades novas, que prometem aumentar a praticidade na navegação. Outra “notícia” é a volta o antigo sistema de cadastro do Orkut dos tempos áureos, ou seja, é necessário um convite de outra pessoa para poder fazer parte da festa.

Alguns poucos orkuteiros ainda vêem algum propósito em usar o site para checar diariamente os seus recados, e se comunicar off-line com sua lista de amigos. É para esses usuários adictos que a nova cara do site traz vantagens: o site agora traz uma integração maior entre as partes do perfil que antes jaziam separadas – perfil, recados, álbum de fotos, videos e aplicativos (como o irritante BuddyPoke!) agora podem ser vizualizados numa página só, graças à reformulação no código do site.

“Peraí um segundo, como assim reformulação de código?”, diriam os usuários avançados de computador já prevendo o inevitável. Trocando em miúdos, a mudança de código quer dizer que o novo Orkut não será compatível com alguns browsers antigos, como por exemplo o Internet Explorer 6.

Há uma série de detalhes a serem descobertos e comentados, já que são apenas duas semanas de testes, e ainda não houve a migração completa dos usuários. Como recém-convidado, eu digo: não é nada demais. Ainda me vejo mais fascinado pela velocidade supersônica de informação do Twitter ou pela integração global de outras redes como Facebook e Myspace. A troca de ares fez bem, mas não modificou em nada o maior problema do Orkut: os usuários.

Emepetrês

outubro 31, 2009

Estamos sitiados. O mundo contemporâneo se deixou dominar pelos barramentos de cobre e os componentes de silício. Obviamente, isso veio a acontecer simplesmente por ninguém perceber que tecnologia é uma chaga. Uma gangrena no tecido da sociedade moderna. Pois, assim como toda gangrena que se preze, a tecnologia não tende a se retrair, e sim a se expandir sem fronteiras onde quer que se instale, conquistando novos territórios, e inevitavelmente incapacitando o intelecto das gerações vindouras, tal qual a doença mata o corpo aos poucos.

Há decadas atrás, as pessoas tinham uma vida livre de redes sociais na internet, que mais servem pra terminar namoros e instaurar inconfiança do que qualquer outra coisa. Os casais criam perfis conjuntos, a namorada temendo o que a menina com foto de biquíni pode conversar em segredo com o namorado, e ele sem temer absolutamente nada. Preferia o perfil separado mesmo, por razões óbvias inerentes ao caráter masculino, mas isso é assunto pra outra oportunidade.

A cozinha da dona de casa sempre foi composta de fogão, panelas, compaixão e amor (leia Sazon). Pra que mais? Ninguém sabe pra que. Mas isso não impede o surgimento de frigideiras high-tech. Tal qual um microondas achatado e raivoso, a infeliz tem um display que informa a temperatura, pra quem quiser saber. Dica: não sou eu. Se os meus bacons foram fritos a 80, 90, 100 graus celsius, não importa!, a pergunta certa a fazer é se tem farinha ou queijo ralado pra colocar em cima.

Mas há avanços que eu admiro. Os aparelhos portáteis de reprodução de música digital (quê?) atuais, por exemplo, superam os seus antepassados, o walkman e o discman, em diversos aspectos. Porém, é uma pena estarem fadados ao mesmo destino cruel dos telefones celulares. Você não vai ter facilidades em encontrar um desses aparelhos simples, que façam uma função básica e vital a um preço justo. Na verdade, você não vai ter facilidade em encontrar um desses, ponto. Esses dias eu me vi sem um mp3 (ah, por que não disse antes?), que me distrai no dia-a-dia, nas tarefas repetitivas “lá-e-cá” como faculdade, academia, etc. Precisava de outro. Mas não queria um aparelho mp780², que não apenas reproduz músicas e videos, como também captura imagens em sequência, manda e recebe mensagens multimídia, tem som em viva-voz, mede taxa de glicose no sangue, prevê o tempo com base na leitura da umidade do local, lê impressões digitais e envia para o banco de dados do Pentágono, e, se no caso de alguém estar achando pouco, tem botõeszinhos em baixo relevo que são um amor. Não. Eu só queria um mp3 que tocasse música.

Engajei em uma conversação sobre o tema com a minha mãe e me surpreendi:

– Filho, o pessoal lá do trabalho disse que esses emepetrês estão saindo de linha. Você só encontra de segunda mão agora.

– Sério?

– Séríssimo.

– Ah tudo bem então… Vou ter que comprar de segunda mão.

Abre parênteses. Jamais expresse uma opinião contrária à da sua mãe com tamanha convicção. Você pode ter a idade que for, que em poucos segundos você será um idoso desmoralizado. Fecha parênteses.

– Segunda mão NÃO. A loja tá aí pra isso. Compra um desses emepequatro.

– Mãe, eu não gosto desses negócios.

– Como não gosta? Eu vi um que era tão bonitinho, uns botões fofos, tinha rosa choque, prata fosco e azul azul, daqueles bem azuis mesmo.

– Prefiro preto. Ah, falar nisso, acho que o João tava vendendo o dele, cobrava uns cinquenta e…

– Já falei que de segunda mão não, Raí! Compra um novo! Tem um monte de traquitanas do jeito que vocês jovenszinhos gostam.

– O problema é que eu não uso essas funções e tenho que pagar mais por elas.

– E daí? Paga e começa a usar.

Foi nesse ponto que eu me calei em derrota. A curva de crescimento da tecnologia se pôs de tal maneira que inverteu a relação mãe-filho vigente na minha residência: eu era o adulto que dispensava as futilidades de um aparelho novo em troca do essencial e barato, e a minha mãe era o jovem que se adapta rapidamente ao que o mercado high-tech dispõe. Tenho medo da permuta que pode ser feita entre eu e o meu pai. Se um dia eu acordar com a mania de dizer “por entendeu” ao fim de cada frase, eu mato o Bill Gates. Juro que mato.